O problema? Ela acredita que seja ela. Ela é o problema. Porque afinal nada dá certo para ela? Quantas tentativas de fazer com que tudo dê certo ainda terão que dar errado pra algo poder dar certo na vida dela? Ela se pergunta todo dia.
Ela não é perfeita, suas imperfeições (extremas) a tornam real, sua realidade a torna surreal, sua surrealidade a torna impossivel e sua impossibilidade a torna possível. Possível em qualquer coisa, menos naquela em que ela se agarra com todas as forças.
Ela queria recomeçar, e quando achava estar na estaca 0, um detalhe qualquer lhe ligava ao passado tenebronoso, o passado que ela queria tanto desprender-se. O passado que ela queria a todo custo não se ligar mais. O passado que não era tão passado assim. O passado que era meio presente e talvez futuro.
Ela não chorava e não amava mais. Não tinha mais motivos. Mas ela se enganava, e como.
Ela não queria um conto de fadas, nem um filme de terror, muito menos uma comédia comédia. Ela vivia um drama, e deixava o suspense pra os que acompanhavam o roteiro desordenado que era sua vida.
Ela jogou tudo para alto. Não espera por mais nada, não se apega a mais nada, não sofre por mais nada.
Agora, ela é vazia. Agora, ela espera por alguem que lhe preencherá na medida certa, nem faltando nem sobrando.